Usadas como “muro de lamentações”, redes sociais ganham caráter de autoajuda

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REDES SOCIAIS

Postado em 10 de junho de 2015

Heloísa Noronha – Do UOL

Não dá para negar que as redes sociais são usadas como uma espécie de terapia virtual em grupo. Facebook, Twitter e até o moribundo Orkut se transformaram em murais de desabafos, lamúrias, reclamações e pedidos –sutis ou nem tanto– de ajuda, compreensão, elogios etc. Entre um choramingo e uma frase de efeito, porém, há quem se beneficie não só com os comentários que suas queixas ou indiretas despertam, mas com o alívio que compartilhá-las proporciona.

Mas sob o ponto de vista dos especialistas em comportamento, será que todo esse movimento de autoajuda virtual funciona? “Não é possível afirmar que todas as pessoas que expõem opiniões, emoções, pensamentos ou vivências sentem efeito e repercussão positiva. Contudo, observa-se atualmente, tais práticas parecem ser válidas, principalmente, para os internautas que têm retorno ao publicar algo do tipo nas redes”, diz a psicóloga Regiane Machado.

De acordo com Ari Brito, especialista em marketing e neuropsicologia e professor da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP), as redes sociais acabam funcionando como uma companhia para muitas pessoas isoladas e solitárias, já que ali podem exercer uma socialização que fora da rede não têm. “Para essas pessoas, representar uma personagem nas redes tem um efeito terapêutico. Ao postar determinadas informações, recebem comentários positivos e se sentem acolhidas. As abordagens funcionam como uma autoafirmação”, afirma. Mas tamanha exposição, no entanto, tem prós e contras.

VEJA A OPINIÃO DE ESPECIALISTAS SOBRE OS PRINCIPAIS COMPORTAMENTOS:

Tipo de post: desabafo
Objetivo: conseguir elogios

Para a psicóloga e coach Tália Jaoui, se a pessoa publica que está se sentindo um lixo, é porque já espera receber uma avalanche de mensagens motivadoras. Já o consultor em mídias sociais Felipe Agne afirma que desabafar é humano. “Mas, geralmente, fazemos isso com os mais próximos, pessoas que realmente se importam com a gente. É bom lembrar que nem todos os amigos no Facebook são realmente ‘amigos’. Assim como há pessoas que vão tentar levantar o seu astral, há quem vai vibrar por você estar mal”, afirma. Há também o risco de virar motivo de piada e, em vez de apoio, receber um esculacho. Ari Brito, especialista neuropsicologia, afirma que “os elogios servem de reforço de sua posição e, portanto, consagram o seu reconhecimento e podem, sim, reforçar a autoestima”.

QUANDO ESSES COMPORTAMENTOS SE TORNAM PREJUDICIAIS?

Além de ser uma espécie de fuga, substituir as atitudes reais pela catarse virtual pode se tornar um hábito extremamente nocivo. Compartilhar pensamentos e filosofias que não têm a sua cara, delirar que foi à desforra com alguém que nunca vai saber que você se referia a ele, buscar uma atenção virtual em substituição ao contato humano são ações que não trazem ganho nenhum.

“Redes sociais criam uma expectativa que, às vezes, faz o mundo parecer uma grande festa de gente compartilhando felicidade, sabedoria e sucesso, uma festa para a qual você não foi convidado. Mas, se você parar para pensar, é um espaço usado para as pessoas compartilharem sua solidão, carências e anseios”, diz Felipe Agne. Para Ari Brito, o que funciona no mundo virtual e no real é o relacionamento, a conversa, a troca entre as pessoas. “Quem é acostumado a ter reconhecimento virtualmente pode se frustrar no mundo real, já que não terá o mesmo acolhimento”, explica o especialista.

Para a psicóloga Regiane Machado, usar as redes sociais com a função de terapia se torna prejudicial quando os comportamentos começam a ser extremistas ou descuidados. “Por exemplo quando a pessoa fala algo que não condiz com a realidade; quando a vivência na internet é maior do que o envolvimento social e outras atividades da vida ficam de lado”, diz.

Júnior Trindade – Latino News Brasil

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