Trabalhadores vão em busca de emprego mostrando cartazes no trânsito de Recife

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NOTÍCIA

Postado em 17 de junho de 2016

G1

Na busca por um emprego, é preciso muita persistência e força de vontade. Na necessidade de pagar as contas e sustentar a família, dois homens do Recife mostraram que, além de tudo isso, o atual momento de recessão econômica tem exigido criatividade. Ambos levantaram cartazes em pleno trânsito da capital pernambucana para pedir uma oportunidade. Um deles já conseguiu trabalho. O outro segue na luta.

No primeiro trimestre do ano, o número de desempregados no país chegou a 11,4 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em Pernambuco, a taxa de desocupação atingiu 13,3% da população economicamente ativa do estado, maior do que a percentagem nacional de 11,2%. Em abril, mais de 5.200 postos de trabalho foram eliminados em Pernambuco, segundo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trbalho e Previdência Social..

Sem trabalho há oito meses, o motorista Gustavo José amarrou um dos lados da própria placa em um poste às margens do canal da Avenida Agamenon Magalhães, no bairro da Ilha do Leite, área central da cidade. A outra ponta foi afixada a um pedaço de madeira. Quando o sinal fecha, ele puxa o papel em direção à faixa de pedestres, exibindo o pedido diante dos carros que ficam parados por até 50 segundos.

“Eu, desempregado, não tenho dinheiro pra levar currículo e transporte direto. Não tenho condições e, toda vez que eu ia lá entregar currículo a várias empresas, diziam: ‘Aguarde, aguarde um pouquinho’. E eu fiquei com esse ‘aguarde’, mas eu tenho família, responsabilidade grande, e eu não posso aguardar. Aí veio a ideia dessa faixa”, conta.

Com o texto “Crise no Brasil! Procuro vaga de motorista” e os números de celular, a placa chama a atenção de quem passa na via. O apelo deixa as pessoas comovidas e as lembra da angústia dos quase 11,5 milhões que precisam se virar para viver sem salário. “A pessoa está sem dúvida procurando e não está conseguindo. Então, acho que ele arrasou. Foi bem”, comenta a advogada Freitas, que via a cena.

Parado no trânsito, o eletricista Adolfo Rodrigo se identificou com o pedido de Gustavo. Também sem ocupação, tem que sentir todas as expectativas de quando se pleiteia uma vaga. “A gente coloca currículo, parece até que não chega no outro lado. Estou (desempregado) há nove meses”, afirma.

Sorte
Se a sorte aparecer, a oportunidade pode chegar de um dos veículos. Foi o que aconteceu com o eletricista Thomaz Richard. Ele fez o mesmo que Gustavo José, também na Agamenon. No dia seguinte, recebeu uma proposta de trabalho de uma construtora após sete meses de espera. Foi o filho do atual patrão dele que o viu na rua e se sensibilizou.

“Ele (o filho) disse: ‘Papai, o senhor tem vários escritórios e o rapaz ali pode estar passando necessidade, precisando se alimentar e não tem como. Eu fiquei tocado com aquilo. E, assim que eu cheguei aqui, no trabalho, por coincidência, a minha secretária tinha visto algumas matérias que saíram e aí, na mesma hora, não tive dúvida e mandei buscar o Thomaz e resolvi dar oportunidade a ele”, recorda o dono da empresa, Paulo Pacífico.

Depois da entrevista, o eletricista foi apresentado aos colegas de trabalho. “Já fui pra obra, já comecei a exercer a profissão. Já comecei a conhecer a minha equipe, que eu vou fazer parte da equipe de colaboradores junto com eles. Me receberam muito bem, me aceitaram de braços abertos e estou ótimo”, declara Thomaz.

Neto Lira – Latino News Brasil

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