Número de profissionais qualificados que deixam o Brasil sobe 67% desde 2011

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Trata-se de um novo fenômeno, alimentado principalmente pela falta de segurança nas capitais e pelas crises política e econômica. A nova fuga em massa tem como perfil pessoas qualificadas e que não querem dinheiro, mas qualidade de vida.

O advogado Thiago Borma Chagas se formou em Direito, fez mestrado no Reino Unido e se especializou em Direito Ambiental. Hoje é uma das cabeças pensantes quando o assunto é mudanças climáticas. Conhecimento que poderia ser usado aqui, mas que está indo embora.

‘Depois de dois anos e meio aqui no Brasil eu vi que não estava mais acostumado com o Brasil, em particular com São Paulo, com o estresse, a falta de segurança. Segurança e na sequência a questão política e econômica que agora piorou bastante. Então eu resolvi que iria retornar a Europa. Para a minha área de direito ambiental eu encontrei na Europa muito mais estrutura de estudo e trabalho.

Thiago, a exemplo de muitos brasileiros, está de partida. Vai para a Suécia, sem data para retornar. Segundo dados da Receita Federal, entre 2011 e 2015 o total de declarações de saída definitiva do país cresceu 67%. Saltou de quase oito mil em 2011 para pouco mais de 13 mil em 2015. Desde o início da crise econômica, em 2014, quase dois mil brasileiros emigraram de forma legal. Os principais destinos são os países da Europa, além de Estados Unidos, Austrália e Canadá.

A consultora em imigração Celina Hui avalia que a tendência é de aumento. Há 12 anos atuando diretamente no Canadá, ela conta que nunca a procura pelo país foi tão grande, e que é de se espantar o nível das pessoas que estão largando tudo em busca de uma nova vida.

‘Quando eu cheguei aqui a maioria das pessoas que vinha eram pessoas novas, solteiras, que vinham estudar inglês ainda. E de um tempo pra cá o perfil passou a ser de famílias ou casais, casais querendo ter filhos aqui, casais com filhos emigrando e pessoas que realmente têm uma vida muito estável no Brasil. Então eu tenho clientes que são empresários, juízes, médicos, engenheiros, advogados. Tenho muitos clientes com vida extremamente estável no Brasil e que estão dispostos a começar do zero aqui, mudar de área completamente.’

O publicitário Cassiano Saldanha deixou o Brasil em setembro do ano passado. Foi para Miami, nos Estados Unidos, com a mulher e o filho de 6 anos. Atualmente é diretor de criação da Apple. Ele ainda não desistiu do Brasil, mas sente que o retorno está cada vez mais longe.

‘É muito cedo para dizer se eu fico de vez ou se eu volto. Mas é nítido pra mim que o momento político e econômico do Brasil não é favorável para voltar. Fim de semana eu vou passear no parque com meu filho e sempre encontro um brasileiro que acabou de mudar para Miami, que largou tudo para dar uma estrutura melhor aos filhos. E não são pessoas novas, não são estudantes de intercâmbio, são pessoas com família, com casa. Então é nítida a quantidade de gente qualificada saindo do país em busca de melhores oportunidades.’

Na área acadêmica não é diferente. Os dados mais recentes também apontam uma fuga de cérebros para universidades do exterior. Cristina Tavares é uma das representantes do Education Usa no Brasil, fonte oficial do governo americano sobre estudos nos Estados Unidos. Segundo ela, a crise econômica não está inibindo os investimentos dos brasileiros no setor. Pelo contrário, a procura só aumenta.

Comparando 2014 com 2015 houve um aumento de 78% de brasileiros que foram estudar nos EUA, seja graduação, pós, um curso de certificado. O Brasil está em sexto lugar em países que enviam alunos e profissionais aos Eua para estudar. Essa tendência vai continuar.

A antropóloga americana Maxine Margolis, pioneira no estudo de imigrantes brasileiros, autora de três livros, afirma que o atual êxodo é algo completamente novo. Primeiro porque no final da década de 1980, quando houve a primeira grande leva de emigração no país, as pessoas que saiam eram das classes média e média baixa, não juízes, médicos ou advogados. Segundo porque, mesmo com hiperinflação, desemprego e baixos salários, o brasileiro de antigamente sempre saiu com perspectiva de volta.

‘Eu nunca encontrei um brasileiro nas minhas pesquisas que falou que saiu definitivamente do país. Nunca encontrei! Então, se pessoas assim, bem estudadas, qualificadas, estão saindo em massa. Isso é muito sério, muito sério. Para a economia melhorar precisa de pessoas qualificadas.’

Crise política e econômica. Perda de capital humano. Os caminhos para o Brasil voltar a crescer parecem estar longe.

https://youtu.be/gBgzxoULp2s

Reportagem Talis Maurício Rádio CBN

 

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