Conjunto moderno da Pampulha é Patrimônio Cultural da Humanidade

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PATRIMÔNIO

Postado em 17 de julho de 2016

Do Correio Braziliense

Deu Pampulha na cabeça. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) reconheceu na manhã deste domingo (17) em Istambul, Turquia, o conjunto moderno de Belo Horizonte, projetado por Oscar Niemeyer (1907-2012), como Patrimônio Cultural da Humanidade. A reunião da 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, para discutir a candidatura da Pampulha, seria realizada ontem, mas, devido à tentativa de golpe de estado na Turquia, teve que ser suspensa, com todos os representantes dos países visitantes, inclusive do Brasil, orientados a não sair dos hotéis em que estavam. De BH, estão em Istambul a diretora do Conjunto Moderno da Pampulha da Fundação Municipal de Cultura (FMC), arquiteta e urbanista Luciana Feres, e a superintendente em Minas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Célia Corsino.

A partir de agora, a Pampulha integra um seleto grupo reconhecido pela Unesco, do qual fazem parte as Muralhas da China, as Pirâmides do Egito, o Palácio Taj Mahal, na Índia e os profetas esculpidos por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), entre mais de mil bens mundo afora. Em Minas, será o quarto conquistado, embora o primeiro modernista: já estão na lista os centros históricos de Ouro Preto, na Região Central, e Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, também na Região Central. Segundo especialistas, a chancela da Unesco mostra a diversidade e riqueza cultural de Minas, que tem destacadas as joias do período colonial e a arquitetura moderna, datado da década de 1940, quando Juscelino Kubitschek (1902-1976) era prefeito de BH.

Espelho d’água

O conjunto moderno da Pampulha foi concebido para criar uma obra de arte total, integrando as peças artísticas aos edifícios e esses à paisagem, apresentando as quatro primeiras obras assinadas por Niemeyer e os jardins planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), painéis com azulejos do pintor Cândido Portinari (1903-1962) e esculturas de artistas renomados como Alfredo Ceschiatti (1918-1989), Augusti Zamoyski (1893-1970) e José Alves Pedrosa (1915-2002).

Formado por uma paisagem que agrega quatro edifícios articulados em torno do espelho d’água de um lago urbano artificial, o Conjunto Moderno da Pampulha é formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha (MAP), antigo cassino, a Casa do Baile, atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte e o Iate Tênis Clube, todos construídos entre 1942 e 1943.

A campanha a favor do reconhecimento da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade começou há 20 anos, mas ganhou força em 2012. Nessa escalada, o primeiro passo foi a aceitação pela Unesco da inclusão do bem na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial. Um dossiê sobre a candidatura foi entregue ao Iphan que, por meio da delegação permanente do Brasil na Unesco, o apresentou ao Comitê do Patrimônio Mundial.

Júnior Trindade – Latino News Brasil

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