França e Alemanha avançam para proibir “cura gay”

França e Alemanha avançam para proibir “cura gay”

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Tocando de Primeira

Já faz um ano e meio que o Parlamento Europeu adotou um texto para incitar os países membros a proibirem as práticas de “cura gay” no bloco. Entretanto, até hoje apenas a pequena ilha de Malta transformou a questão em delito, além de algumas comunidades autônomas espanholas, como Valência. França e Alemanha preparam projetos de lei para incriminar a chamada “terapia de conversão”.

Na França, a deputada centrista Laurence Vanceunebrock-Mialon, ex-policial, assumiu o comando desse combate, depois de tomar conhecimento sobre o quanto as sessões de suposta cura da homossexualidade, inclusive por exorcismo, são frequentes no país. Essas sessões são promovidas por alas ultraconservadoras da Igreja Católica ou por grupos evangélicos pentecostais.

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Desde o início de novembro, uma comissão de investigação parlamentar criada para identificar a realidade da situação na França ouve supostos terapeutas e vítimas. “Essas práticas não só existem como estão se desenvolvendo”, disse Timothée de Rauglaudre, jornalista e escritor, coautor de Dieu est Amour (“Deus é Amor”, em tradução livre).

Durante mais de um ano, Rauglaudre e o também jornalista Jean-Loup Adénor se infiltraram nos dois principais grupos de “cura gay em atuação na França, Courage e Torrents de Vie. As imagens da apuração se tornaram um documentário, Homothérapies – Guérisons forcées (Homoterapias: curas forçadas”, em tradução livre), de Bernard Nicolas, que causa polêmica no país.

“A sessão se inspira nos Alcoólicos Anônimos. Os encontros começam com ‘Bom dia, me chamo Fulano e tenho atração por pessoas do mesmo sexo’”, relatou Adénor, em sua audiência na Assembleia francesa. “Eu perguntei se eu tinha chances de voltar a ser hétero e me responderam, um pouco embaraçados, que sim.”

‘Gritos horríveis’ em exorcismo

Em um dado momento, Adénor é convidado a participar de uma semana de “terapia intensiva” em uma localidade remota da França. Foi quando o jornalista ouviu a realização de um exorcismo para “reverter” a homossexualidade de uma mulher.

“Eram gritos horríveis. A equipe veio imediatamente me ver e dizer para eu não me preocupar, porque ‘quando o Cristo tira um demônio de um corpo, não é para ir morar em outro’”, conta o repórter.

A atividade não é ilegal, mas tolerada. A associação David & Jonathan, formada há quase 50 anos por LGBTs cristãos, afirma que as “curas gays” realizam atividades dissimuladas, sob a forma de “acompanhamento” ou “ajuda à construção da identidade”, com um viés de consulta psicológica – no entanto, não conta nem com psicólogos, nem psiquiatras. Os fiéis que se sentem desconfortáveis em assumir a homossexualidade, com frequência praticantes, são os mais suscetíveis a procurar o serviço, em geral voluntariamente. Essa atuação velada faz com que o problema seja ignorado pela maioria dos países e tolerado pela igreja.

Fonte: G1

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