Síndrome do regresso: o drama de voltar do intercâmbio

Compartilhe

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on telegram

INTERCÂMBIO

Postado em 16 de junho de 2015

A depressão, dificuldade de se readaptar ou tristeza que abate o intercambista após o retorno ao país de origem é chamada de síndrome do regresso, termo cunhado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar o “jet lag espiritual” sentido por muitas pessoas ao voltar pra casa. Segundo ele, quando o intercambista parte para o período de intercâmbio, está cheio de expectativas e planos sobre a vida no novo país. O período de adaptação à nova realidade no exterior varia de país para país, mas a média é de 6 meses. Já a readaptação ao país de origem demora em média 2 anos.

POR QUE É TÃO DIFÍCIL SE ADAPTAR?
São inúmeras as respostas, e muitas delas são pessoais, pois cada pessoa que vive fora do país por algum tempo vive uma diversidade enorme de experiências que fazem do seu momento único, e o período de voltar do intercâmbio mais difícil. Mas os motivos mais comuns que geram a síndrome do regresso, são:

SENSAÇÃO DE QUE PERDEU O BONDE: quando você volta, muitas coisas aconteceram e você não estava lá. Perdeu novidades das vidas das pessoas próximas a você, a cidade que você morava mudou, muita gente passa a não reconhecer mais o seu território.

A FALTA DE NOVIDADE: quando você mora num país estrangeiro, tudo é novo. A língua é nova, a atitude das pessoas é diferente, as comidas são diferentes, tudo é novidade. Até uma mera ida ao mercado é algo mais divertido do que no Brasil, pois aqui já conhecemos tudo que lá encontramos: os produtos, as marcas, os preços. No exterior, conhecer tudo novo é uma experiência agradável e ela termina logo que chegamos por aqui.

AMIGOS DE MUITAS NACIONALIDADES: uma das reclamações mais comuns, é a saudade dos amigos feitos no período de intercâmbio. É comum ter a oportunidade de conhecer pessoas do mundo todo durante o período de intercâmbio e é uma realidade que a intensidade das relações é muito mais profunda quando ambos estão fora do seu país de origem. Em um dia, eram um desconhecidos, no outro são melhores amigos, viajam juntos, dividem experiências cotidianas e fazem laços de amizade muito fortes. A sensação de que pode nunca mais ver essas pessoas que foram tão importantes nesse período, aumenta a depressão pós-intercâmbio.

ADAPTAR À REALIDADE BRASILEIRA: acostumar-se com o dia a dia do Brasil após um período em países da Europa ou da América do Norte, por exemplo, não é fácil. Muitas intercambistas voltam com mais medo da violência e dos assaltos do que quando partiram daqui; reclamam muito dos preços, pois se acostumaram a ter maior poder de compra com menor quantidade de dinheiro; reclamam dos transportes – não é novidade pra ninguém que a qualidade dos transportes públicos no nosso país é deficiente; reclamam da desordem: depois de se acostumar com uma população menos enérgica que a nossa, o barulho, a confusão, as filas e o “jeitinho brasileiro” tomam uma dimensão maior do que se pensa.

SAUDADE DAS VIAGENS: intercambistas viajam muito. Os motivos são diversos: querem conhecer o país de destino (ou os países vizinhos) enquanto tem a oportunidade, conseguem fazer viagens a baixo custo (algo que é difícil por aqui), conhecem vários lugares em uma mesma viagem, conhecem dezenas de pessoas por viagem. Quando voltam ao Brasil, essa realidade muda. Viajar é mais caro, as nacionalidades não se diversificam, e a freqüência cai absurdamente. A saudade das viagens e a vontade de conhecer o mundo só aumentam.

A SENSAÇÃO DE “EU MUDEI”: é unânime – todas as pessoas que fazem um intercâmbio voltam diferentes. Essa mudança é perceptível tanto pelos parentes e amigos, e ainda mais pelo intercambista. Ganha-se em experiências, em independência, em “se virar sozinho”, vivência em um novo idioma ou aprimoramento daquele que já se falava, enfim, uma infinitude de ganhos. Enquanto você criou uma grande bagagem cultural e colecionou experiências, sua família e amigos, mesmo que muito felizes por você, continuaram na rotina de sempre. Muitos relatos aos psicólogos e psicanalistas retornam a esse ponto: é um crescimento acelerado vivido pelo intercambista e as pessoas ao seu redor não o acompanharam, e já não agüentam mais te ouvir falar das mil e uma aventuras que você teve e eles não.

“VOLTEI A SER COMUM”: quando você mora fora, você é novidade. É estrangeiro, tem visual diferente, costumes diferentes, fala uma língua diferente. Você é visto como alguém especial e a maioria das pessoas gosta dessa sensação. E ao mesmo tempo, todos do Brasil declaram muita saudade de você, dizem que você faz falta, dizem pra você voltar logo, o que aumenta a sensação de: eu sou especial. Quando retorna, você volta a ser comum. Todo mundo é brasileiro, a saudade que os amigos e parentes sentiam de você é encerrada e muita gente sente falta de se sentir “único e especial”.

DICA: ao voltar do intercâmbio, você precisa se readaptar, quer queira quer não. Por mais que você sinta saudades do país em que viveu, que ele seja para você como uma segunda casa, a maioria das pessoas precisa ficar no Brasil para estudar, para trabalhar, por causa da família.

Júnior Trindade – Latino News Brasil

Gostou! Compartilhe:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on telegram

TOP RELACIONADOS

Você também pode gostar