Professores analisam funk de MC Carol que contesta a história do Brasil

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POLÊMICA

Postado em 10 de julho de 2015

A cantora niteroiense MC Carol lançou uma música que tem chamado a atenção pela letra. Em vez de sexo, ostentação ou apologia à violência, temas recorrentes em funks, “Não foi Cabral” desafia a história do Brasil contada na maior parte dos livros escolares. O G1/RJ conversou com a funkeira e entrevistou professores para analisarem os versos que falam do descobrimento do país, do genocídio de indígenas e cobra destaque para Dandara, a mulher de Zumbi de Palmares.

A música, que começa com um remix do Hino Nacional, contesta o descobrimento, em tom de voz agressivo. “Nada contra ti / Não me leve a mal / Quem descobriu o Brasil / Não foi Cabral / Pedro Álvares Cabral / Chegou 22 de abril / Depois colonizou / Chamando de Pau-Brasil / Ninguém trouxe família / Muito menos filho / Porque já sabia / Que ia matar vários índios.

A cantora compôs a canção a partir de um convite do projeto Temas de Dança, que estuda a relação entre corpo, dança e história. “Nessa entrevista [ao projeto] eu comecei a falar sobre a minha adolescência na escola e falei que debatia muito com as professoras. Contei que a professora de história era com a qual eu mais debatia. Ela falava coisas que eu não aceitava e me colocava para fora da sala (…) Ela dizia que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. E eu falava: professora, Pedro Álvares Cabral não descobriu o Brasil porque já tinha 4 milhões de índios aqui. Como ele descobriu?”

O professor Oswaldo Munteal, da PUC-Rio, acredita que a perspectiva crítica da história apresentada em “Não foi Cabral” é válida e afirma que o funk merece ser respeitado como arte desenvolvida no Brasil. Ele afirma que a linguagem do ritmo é própria e que possíveis erros de linguagem são relativos.

“É um gênero contra o qual ainda há muito preconceito. E eu acho que este preconceito ainda precisa ser combatido. É música, e dentro deste âmbito, o certo e o errado são relativizados porque dependem da rima, da harmonia, do contraponto, da melodia e da própria composição da música”. E é legal que o funk fale de história do jeito dele, agressivamente, com um jeito de cantar diferente. Eu acho que é uma maneira de expressão respeitável.

Para o professor Flávio Morgado, a visão da história a partir de grupos considerados marginais foi feita justamente a partir de um tipo de música que também é marginalizada.

“Ela está se comunicando com o seu público, que muitas vezes também é marginalizado. A música tem uma certa ironia e humor, característicos do gênero. E mesmo com humor, ela tem uma coerência.”

MC Carol comemora a boa repercussão da música na internet e afirma que foi capaz de mostrar uma nova face ao público. “Se antes as pessoas achavam que a MC Carol não poderia compor um funk culto, eu acho que elas já têm outra visão.”

Confira a letra e ouça a música completa, clicando no link abaixo:

Professora me desculpe
Mas eu vou falar
Esse ano na escola
As coisas vão mudar

Nada contra ti
Não me leve a mal
Quem descobriu o Brasil
Não foi Cabral

Nada contra ti
Não me leve a mal
Quem descobriu o Brasil
Não foi Cabral

Pedro Álvares Cabral
Chegou 22 de abril
Depois colonizou
Chamando de Pau-Brasil

Ninguém trouxe família
Muito menos filho
Porque já sabia
Que ia matar vários índios

13 Caravelas
Trouxe muita morte
Um milhão de índio
Morreu de tuberculose

Falando de sofrimento
Dos tupis e guaranis
Lembrei do guerreiro
Quilombo Zumbi

Zumbi dos Palmares
Vitima de uma emboscada
Se não fosse a Dandara
Eu levava chicotada

Nada contra ti
Não me leve a mal
Quem descobriu o Brasil
Não foi Cabral

Nada contra ti
Não me leve a mal
Quem descobriu o Brasil
Não foi Cabral

Júnior Trindade – Latino News Brasil

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