Emprego com carteira assinada retoma ano que vem

Emprego com carteira assinada retoma ano que vem

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Tocando de Primeira

A geração de emprego no Brasil, que desde o início da recuperação econômica tem sido impulsionada por postos informais, deve contar com uma maior contribuição de vagas com carteira assinada em 2020, esperam os especialistas. Eles argumentam que a criação de empregos formais vai responder à aceleração da atividade da economia e a uma situação financeira mais confortável das empresas, que estarão mais dispostas a contratar a partir do ano que vem.

A consultoria Tendências é uma das que estão otimistas com o cenário de emprego em 2020. A casa, que espera crescimento de 2,1% para o PIB no ano que vem, acredita que 1,8 milhão de pessoas deverão conseguir um trabalho, das quais a metade, 900 mil dessas vagas, será com carteira de trabalho assinada.

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A estimativa da Tendências é acima do que o que se prevê para o encerramento de 2019. A consultoria projeta que o ano tende a terminar com mais 1,6 milhão de pessoas empregadas, sendo pouco mais de um terço (640 mil) dentro da formalidade.

“A economia está acelerando e as empresas estão em um processo mais adiantado de ajuste financeiro. Então, com uma demanda mais aquecida no consumo, a expectativa é que o emprego formal apresente sinais mais claros de melhora”, explica o economista Thiago Xavier, que analisa os indicadores de mercado de trabalho na Tendências.

Novembro positivo

Os números mais recentes de 2019 também ajudar a explicar o otimismo com 2020. A criação de empregos formais em novembro, por exemplo, surpreendeu todos os analistas do mercado financeiro. Foram 99 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Caged, enquanto a mais otimista das previsões coletadas pelo Projeções Broadcast indicava saldo positivo de 67,8 mil vagas.

Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira, também vieram melhores do que Oe esperado pelo mercado. Enquanto os analistas estimavam uma taxa de desemprego entre 11,3% e 11,5%, com mediana de 11,4%, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,2%, no trimestre encerrado em novembro.

O economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, notou que desde julho a criação de empregos com careira assinada tem mostrado uma consistente aceleração dos resultados.

“Nos dados dessazonalizados, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) teve geração de 39,8 mil em julho, 58,3 mil em agosto, uma média de 65 mil em setembro e outubro e agora chega a 98 mil em novembro, uma melhora significativa”, disse o economista, que espera criação de 750 mil vagas formais em 2020, mas reitera que “o viés é de alta”.

Mudanças a partir de julho

Não se pode esperar, no entanto, que o início do ano já mostre uma dinâmica mais favorável ao emprego formal, diz o economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV). Para ele, o primeiro trimestre ainda será liderado pela informalidade. O segundo trimestre terá peso parecido para informal e formal. E só na segunda metade do ano o formal passa a liderar a geração de novos postos de trabalho.

“O emprego formal responde mais à atividade econômica e a aceleração da economia será mais forte no segundo semestre, o que vai impulsionar as vagas com carteira assinada nesse período”, explica Duque. O pesquisa estima que, em 2020, serão criadas 728 mil empregos formais.

Para os analistas, a taxa de desemprego, medida pela Pnad Contínua, do IBGE, deve ter uma média de 11,6% a 11,7% em 2020, um pouco abaixo do que se espera para 2019, algo em torno de 11,9%. A ligeira redução, apesar da maior contribuição do trabalho formal, se explica pelo aumento do número de pessoas em busca de emprego. Não só por uma questão conjuntural, com o retorno ao mercado de brasileiros que haviam desistido de procurar emprego, mas também como reflexo de mudanças estruturais.

Trabalho intermitente e Previdência

O economista Thiago Xavier aponta pelo menos duas alterações estruturais que vão levar ao aumento da chamada População Economicamente Ativa. O primeiro diz respeito ao trabalho intermitente, uma novidade trazida pela reforma trabalhista.

“As pessoas que só têm uma parte do dia disponível para trabalhar, como uma mãe que cuida dos filhos em casa ou um estudante, poderão conseguir um emprego, estimulando a procura”, exemplifica.

A outra é a reforma da Previdência, que aumentou o número de anos necessários para que um trabalhador, em geral, possa se aposentar. “A reforma não só vai estimular que as pessoas entrem mais cedo no mercado de trabalho como vai forçar outros a ficarem mais tempo trabalhando, aumentando a quantidade de pessoas em busca de emprego”, explica.

Fonte: Terra

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