Mercado de peixes ornamentais ajuda a preservar outras espécies

Mercado de peixes ornamentais ajuda a preservar outras espécies

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Tocando de Primeira

O paulista Sandro Tarabay, de 44 anos, é engenheiro da computação e publicitário de formação, e um aquariofilista de coração. Atualmente, ele precisa de mais de uma tonelada de água para abastecer seus cinco aquários com cerca de 50 peixes ornamentais, separados por bioma, pH, temperatura e até hábitos alimentares.

Tabaray é um dos cerca de 11 milhões de brasileiros que mantêm aquários em casa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por sua vez, a Associação Brasileira de Aquariofilia (Abraqua) diz que a população de peixes ornamentais dentro dos lares do país chega a 18 milhões. A prática é um dos eixos de pesquisas sobre a conservação da ictiofauna (a fauna do conjunto de peixes em uma região da natureza).

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Desde 2008, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente(Ibama)  mantém listas com 181 espécies brasileiras de peixes de água doce e 136 de água marinha que têm a coleta na natureza permitida – outra fonte desse mercado é a criação própria de peixes na aquicultura. Fora do país, porém, há um número maior de espécies destinadas à prática. O próprio Ibama já permite a importação de pelo menos 379 espécies de água doce e 530 de água marinha.

Pesquisadores da área tentam estudar mais espécies que possam expandir a lista de espécies brasileiras – mais de 4 mil espécies apropriadas para a prática já foram catalogadas no país, que, segundo a Embrapa, é o 13º maior exportador de peixes ornamentais.

No Pantanal, onde mais de 300 espécies de peixes já foram identificadas, o professor Claumir Cesar Muniz, pesquisador do Projeto Bichos do Pantanal em Cáceres (MT), diz que essa expansão pode significar uma nova fonte de renda local, e aliviar a pressão sobre as espécies mais populares entre os pescadores.

Segundo ele, atualmente os pescadores profissionais e amadores costumam concentrar a prática sobre cerca de 12 espécies. O Pantanal foi o destino do Desafio Natureza do G1 sobre caça e pesca ilegal.

Peixe é pet?

Além dessa expansão, membros da Abraqua defendem ainda uma mudança na legislação para peixes ornamentais, atualmente considerados pelo Ibama como animais silvestres. Para eles, esta classificação dificulta, por exemplo, o transporte dos animais, diferentemente do que acontece com gatos, cachorros e outros animais domésticos.

A legislação prevê que, além de se ater à lista de espécies permitidas, a coleta de peixes e outros organismos aquáticos na natureza só poderá ser feita por embarcações, pescadores ou aquicultores devidamente registrados.

Já na aquicultura, que é a criação em cativeiro, há mais de 33 mil empresas registradas no país. A atividade cobre o cultivo de organismos aquáticos, como peixes, crustáceos, moluscos, algas e répteis: são mais de 17 mil registradas na categoria de piscicultura, que cobre apenas a criação de peixes.

O biólogo e aquicultor Cássio Ramos diz que há um movimento entre os adeptos da prática em tratar os animais como “pets”, ainda que a legislação ainda os considere animais silvestres.

Ramos explica que, apesar de muitas espécies ornamentais serem importadas da Ásia, os peixes da Amazônia disponíveis para a venda no país são em sua maioria coletados aqui mesmo. O aquicultor explica que há a intenção de produtores na reprodução dos animais em cativeiro para pôr um fim na prática extrativista.

“É necessário um incentivo governamental para transformar os pescadores em criadores conservacionistas. É um caminho que a aquicultura tem que seguir”, defende o biólogo.

Fonte: G1

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