Escovação diária em cães e gatos previne doenças graves nos pets

Escovação diária em cães e gatos previne doenças graves nos pets

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Tocando de Primeira

Manter a escovação dos pets em dia não é uma tarefa muito fácil. Isso porque, em muitos casos, os cães e gatos ficam impacientes no início deste processo. No entanto, a escovação diária é essencial para a prevenção da placa bacteriana e inflamações na gengiva, que podem causar graves problemas à saúde do pet.

No total, os cães possuem 42 dentes na boca, sendo 28 desses dentes de leite. Já os gatos possuem 30 dentes permanentes e 26 de leite. Segundo a veterinária, Silvia Fonseca, especialista em odontologia e clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, de Sorocaba (SP), a escovação diária é importante, pois impossibilita a formação da placa bacteriana – que adere aos dentes e gengiva dos animais em até 48 horas e se transforma em cálculo dentário – mais conhecido como tártaro, além de prevenir contra outras doenças.

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“Fazendo a escovação diária, diminuiu a probabilidade de incidência de doenças em órgãos internos e a chance de uma inflamação gengival é muito menor, impossibilitando sua retração e a perda dentária. A saúde começa pela boca”, explica a veterinária.

Para a escovação, existem produtos específicos para serem usados nos pets. De acordo com Silvia, o creme dental indicado para a higiene oral dos animais precisa ser o de uso veterinário, já que possuem substâncias capazes de destruir a placa bacteriana, além de possuírem enzimas que auxiliam no tratamento. Os produtos que contém essa enzima são na forma líquida, snacks e creme dental, mas nenhum deles substitui a escovação mecânica, que é a mais eficaz.

A veterinária ainda ressalta que o creme dental de animais não forma espuma e não possui flúor. Quanto às escovas, as mais indicadas para o processo são as de cerdas macias e de cabeças pequenas. “Existem as de uso veterinário, mas as cerdas são mais rígidas podendo causar retração gengival e, como a cabeça das escovas são maiores, eu não recomendo”, complementa. Os dedais são outra opção, mas suas cerdas não são macias e os dedais de silicone não conseguem fazer uma escovação precisa.

Quando começar a escovação nos pets?

De acordo com a especialista, a escovação deve ser iniciada assim que os primeiros dentes começam a nascer, para acostumar os pets com e evitar estranhamentos e desconfortos no futuro.

A veterinária Silvia Fonseca explica que o primeiro passo é iniciar a troca de carinho com o pet antes mesmo de dar início à escovação. Em seguida, a especialista sugere que o tutor coloque um pouco do creme dental na boca do pet, para que o mesmo se acostume com o gosto do produto e, assim, quando ele já estiver habituado com o sabor, o dono pode iniciar a escovação.

“A escovação tem que ser vista como uma troca de prazer e carinho entre animal e tutor. Caso seja feito tudo muito rápido ou sem a técnica indicada, o paciente [pet] pode ver a escovação como um terrorismo e ao invés de prazer, terá medo e não deixará o tutor escovar”, informa.

Principais doenças

Ainda segundo a veterinária, a falta de escovação pode acarretar doenças:

  • Dentárias: Periodontite (infecção ao redor dos dentes), onde o animal começa a ter acúmulo de cálculo dentário, retração gengival, exposição de raiz e perda dentária. Odor forte até um odor pútrido (podre).
  • Cardíacas: Endocardite bacteriana, onde animal pode apresentar sopro cardíaco, tosses e engasgos.
  • Renais: Nefrite, levando animal a ter dor, alteração em urina e, muitas vezes, pode levar animal à insuficiência renal.
  • Ósseas: Osteomielites por contaminação óssea, onde se o tratamento não for eficaz, pode acarretar em cirurgia de remoção óssea.

Entre as doenças mais comuns em cães e gatos estão a periodontite, gengivite, exposição de raiz dentária pela retração gengival e acúmulo de cálculo dentário, tornando os dentes fracos, moles e perda dentária. E os sintomas vão desde o mau hálito, sangramento, dor até a dificuldade de se alimentar.

Genética

A veterinária ainda explica que todas as raças, independentemente do tamanho, estão predispostas a desenvolverem problemas bucais. Mas os animais de pequeno porte como Yorkshires e Spitz Alemão, além de raças braquicefálicas como Pug e Bulldog Francês, por exemplo, são as mais propensas a serem acometidas pelas doenças.

A diretora administrativa Elaine Machado, de Sorocaba, tem três gerações da raça Pinscher dentro de casa: Mel, Radija e Latika, de 12, 10 e 8 anos, respectivamente. Todas cachorrinhas já apresentaram problemas periodontais. A tutora conta que mudanças de comportamentos e falta de apetite foram alguns dos sintomas apresentados pelos animais.

Em visita ao veterinário, a tutora foi informada que todas estavam com tártaros nos dentes e precisavam de extrações. Segundo Elaine, após o processo de limpeza e extração, as pets voltaram a se alimentar normalmente. “Hoje elas são outras cachorras”, conta.

Prevenção

A prevenção das doenças bucais é feita procurando um profissional veterinário que ensine o tutor a fazer a escovação corretamente, indicando a profilaxia dentária a cada 6 ou 12 meses ou sempre que necessário.

Segundo a veterinária Silvia, a limpeza profissional é feita com o animal anestesiado, pois não é retirado só a placa bacteriana visível na dentição dos animais, é também retirado o acúmulo que fica por de baixo da gengiva. Com o paciente anestesiado, faz-se a escovação dentária com produtos específicos, a remoção das placas bacterianas com auxílio de instrumentos odontológicos, como a cureta e ultrassom dentário.

Após a retirada do cálculo de toda extensão dentária, faz-se o polimento com produto específico, para que o dente fique liso e sem o risco de formar cálculo dentário no dia seguinte. Mesmo com o procedimento, a especialista reforça “tem que continuar a escovação na residência, pois a placa bacteriana irá se formar novamente e acometer todos os dentes do paciente”, finaliza.
Fonte: G1
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