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Brasileiro residente de Massachusetts entra com uma ação contra o Exército dos EUA por dispensa “sem justa causa”

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NOVA YORK – Alguns reservistas e recrutas imigrantes do Exército dos Estados Unidos (US Army) que se alistaram nas forças armadas com um caminho prometido para a cidadania estão sendo dispensados abruptamente, de acordo com informações da Associated Press.

Brasileiro de MA processa o Exército dos EUA por dispensa “sem justa causa” Lucas Calixto afirma que US Army não deu o direito dele se defender.

A reportagem não conseguiu quantificar quantos homens e mulheres que se alistaram por meio do programa de recrutamento especial foram expulsos do Exército, mas os advogados de imigração dizem saber de mais de 40 pessoas que foram dispensadas ou cujo status se tornou questionável, colocando em risco seu futuro.

“Meu sonho era servir nas forças armadas”, disse o reservista Lucas Calixto, imigrante brasileiro que entrou com uma ação contra o Exército na semana passada. “Desde que este país se tornou tão bom para mim, eu pensei que era o mínimo que eu poderia fazer para devolver ao meu país adotivo e servir nas forças armadas dos Estados Unidos.”

Alguns dos reservistas dizem que não foram informados porque estavam sendo dispensados. Outros que pressionaram por respostas disseram que o Exército os informou que foram rotulados como riscos de segurança porque têm parentes no exterior ou porque o Departamento de Defesa não havia completado os exames de antecedentes.

Porta-vozes do Pentágono e do Exército disseram que, devido ao litígio pendente, eles não conseguiram explicar as altas nem responder a perguntas sobre se houve mudanças nas políticas em qualquer um dos ramos militares.

Os candidatos qualificados precisam ter status legal nos EUA, como Visto de estudante, antes de se alistarem. Mais de 5.000 imigrantes foram recrutados para o programa em 2016, e cerca de 10.000 estão servindo atualmente. A maioria vai para o Exército, mas alguns também vão para os outros ramos militares.

Para se tornarem cidadãos, os membros do serviço precisam de uma designação de serviço honrosa, que pode vir depois de apenas alguns dias no acampamento militar. Mas os membros do serviço recentemente dispensados tiveram seu treinamento básico atrasado, então eles não podem ser naturalizados.

Margaret Stock, advogada de imigração do Alasca e tenente-coronel aposentada do Exército que ajudou a criar o programa de recrutamento de imigrantes, disse que, nos últimos dias, falou com vários recrutas que foram dispensados abruptamente.

“Todos assinaram contratos de alistamento e fizeram um juramento do Exército”, disse Stock. “Os imigrantes estão servindo no Exército desde 1775. Não teríamos vencido a revolução sem os imigrantes. E não vamos vencer a guerra global contra o terrorismo sem os imigrantes”, continuou.

Stock disse que os reservistas que ela ouviu tinham sido informados de que o Departamento de Defesa não havia conseguido colocá-los em meio a extensas verificações de antecedentes, que incluíam informações da CIA, do FBI e da Agência Nacional de Inteligência e outras entrevistas. Portanto, por padrão, eles não atendem ao requisito de verificação de histórico. “É um ciclo vicioso”, disse ela.

O Brasileiro Calixto disse que, “agora, o grande sentimento que o inundou quando se alistei está indo pelo ralo”. Na esperança de desfazer a dispensa, ele entrou com uma ação em Washington, D.C., na semana passada, alegando que o Departamento de Defesa não lhe deu uma chance de se defender ou apelar. Ele disse que não recebeu nenhum motivo específico além de “segurança pessoal”.

O brasileiro, que vive em Massachusetts, se mudou para os Estados Unidos quando tinha doze anos de idade, em uma entrevista a AP, através de seu advogado, afirmou que entrou no Exército por “patriotismo”.

Com Brazilian Times