Brasileiro processa o Bank Of America por discriminação

Brasileiro processa o Bank Of America por discriminação

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NOVA YORK – O brasileiro Daniel Marques esperava transformar sua permissão de trabalho em um emprego no Bank of America. Em vez disso, ele está processando a empresa por discriminação.

Marques alega que seu pedido de trabalho no departamento de gestão de fortunas do banco foi negado depois que ele disse a um vice-presidente que o entrevistou, em 2016, que seria obrigado a renovar sua autorização de trabalho sob o programa Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA).

O processo foi apresentado como uma ação coletiva do Mexican American Legal Defense and Educational Fund, ou MALDEF, que disse que procura representar outros imigrantes em todo o país com permissões de trabalho renováveis rejeitadas por empregos no segundo maior banco dos EUA.

Marques tem uma queixa semelhante contra a Allied Wealth Partners, que também o rejeitou na primavera de 2016. A MALDEF processou separadamente a Procter & Gamble Co., em nome de outro imigrante beneficiado pelo DACA.

O brasileiro disse que, quando buscou o cargo no Bank of America, o vice-presidente elogiou suas qualificações, incluindo sua média de notas de 3,4 na Kean University no estado americano de New Jersey, onde estudou finanças. Mais tarde, o banco informou que só consideraria candidatos elegíveis para trabalhar nos EUA “sem limitações”, de acordo com o processo.

A recusa de uma empresa em contratar um candidato porque seus documentos de autorização de trabalho irão expirar “pode constituir discriminação ilegal”, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês). A orientação do Departamento de Justiça para os empregadores diz que “você não pode se recusar a contratar um indivíduo apenas porque o documento de autorização de trabalho dele expirará no futuro”.

Bill Halldin, porta-voz do banco, não comentou o assunto.

A sequência de processos ocorre em meio a um debate nacional sobre a imigração, que durou meses no Congresso, nos tribunais e na mídia sobre a decisão do presidente Donald Trump de rescindir o programa DACA, que foi iniciado pelo governo Obama para proteger da deportação os imigrantes indocumentados que entraram nos EUA quando eram crianças. Empresas de uma ampla gama de indústrias, incluindo tecnologia, finanças e varejo, alertaram Trump que acabar com o programa teria consequências econômicas e sociais.

Os advogados do MALDEF dizem que não sabem quantos outros candidatos a emprego do Bank of America tiveram a mesma experiência que Marques. Mas eles disseram que a elegibilidade para o processo estende-se a mais de 800.000 beneficiários do DACA em todo o país, bem como aos titulares de visto de estudante, solicitantes de asilo e sobreviventes de tráfico humano que receberam permissão temporária de trabalho.

O presidente e conselheiro geral do MALDEF, Tom Saenz, comparou a decisão do empregador de não contratar alguém cuja permissão de trabalho acabará expirando com noções estereotipadas do passado sobre as mulheres no local de trabalho.

“Você pode imaginar uma empresa assumindo uma posição semelhante em relação às mulheres há 25 anos: ‘Nós simplesmente não sabemos se ela ainda estará no mercado de trabalho; ela pode engravidar, ela pode se casar. Precisamos de estabilidade a longo prazo”, disse ele. “Isso é discriminação.”

Os maiores concorrentes do Bank of America não têm políticas específicas de emprego para os detentores de licenças do DACA, mas a Goldman Sachs e o JP Morgan Chase & Co. disseram que apoiam um caminho legal para a cidadania. A Wells Fargo & Co., que foi processada por supostamente discriminar os imigrantes do DACA que solicitam empréstimos, disse em um comunicado que “a proteção dos imigrantes do DACA é relevante para os membros da nossa equipe e para as comunidades que servimos”.

Com Brazilian Times / Bloomberg