Saiu do exército para faturar R$ 50 milhões com airsoft

Saiu do exército para faturar R$ 50 milhões com airsoft

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Tocando de Primeira

Uma ideia de negócio pode surgir das situações mais improváveis. Até mesmo de uma confraternização frustrada. Esse foi o caso da rede de airsoft – jogo em que as pessoas competem usando armas à base de ar comprimido – chamada Sniper. Criada há dois anos pelo ex-oficial de saúde do Exército Hilston Guerim junto com mais três sócios, a marca hoje tem 50 franquias espalhadas pelo país, atraindo 600 mil pessoas ao ano e expandindo-se rapidamente.

Formado em farmácia e bioquímica e direito na PUC-PR, Hilston entrou aos 23 anos nas Forças Armadas para atuar na área de saúde do Exército brasileiro. Mas mesmo a carreira estável prometida pela posição de oficial na instituição, que ele exercia junto à ocupação de professor universitário, não tirou o desejo dele de empreender.

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“Meu pai é comerciante, e desde criança eu o acompanhava no trabalho. Quando entrei no Exército eu já tinha a ambição de abrir um negócio mais à frente, no formato de franquia. Eu logo percebi que seria mais vantajoso ser franqueador, mas não conseguiria ter sucesso nisso se, antes, não passasse pela fase de administrar as próprias franquias”, conta Guerim.

Ele experimentou bastante. “Tive restaurantes, franquias minúsculas e de maior porte, para entender os modelos existentes”, diz. Uma vez capacitado, o então oficial entrou de cabeça: em 2015, pediu baixa das Forças Armadas e abriu, com três parceiros que conheceu nas andanças de empreendedorismo, a holding de franquias PDMG. A sigla remete às iniciais dos sobrenomes dos quatro sócios: Alan Parise, Vinicius Delatorre, Gare Marques e Hilston Guerim.

O primeiro negócio do grupo foi de importação de produtos estéticos. Mas o que faria a empresa decolar surgiu quase que por acidente: em uma confraternização de fim de ano, eles decidiram reunir funcionários e familiares para uma partida de airsoft, em que, ao modelo do mais tradicional paintball, equipes de “guerra” são formadas para uma batalha em campo aberto. As armas são de munição plástica, que não causa nenhum ferimento mais grave, mas ainda assim provoca dor em quem leva o tiro.

“Os problemas foram vários. O primeiro é que o lugar era muito longe. Além disso,  exigia muita antecedência para marcar. Quando finalmente conseguimos, as mulheres no grupo viram que o tiro era um pouco forte, tinham medo de se machucar, e se recusaram. As crianças também não podiam brincar. O jogo acabou sendo legal, mas percebemos que aquilo não só tinha inconvenientes para o público, como também limitava a lucratividade do negócio”, conta.

Brincadeira acessível a todos
Por que, então, não recriar a brincadeira do airsoft sem esses problemas? A decisão foi tomada rapidamente pelo quarteto, que imaginou o cenário perfeito: um local acessível, com um jogo que sirva para toda a família e que, sem perder a empolgação de atirar, diminuísse a agressividade envolvida na competição.

Resumidamente, é o que a Sniper faz hoje: os shopping centers foram eleitos a praça ideal para a rede de entretenimento, que, em vez de montar equipes que atiram uma na outra, adotou o modelo de estande de tiro: pratica-se contra alvos inanimados, em modalidades como “duelo”, em que duas pessoas competem para ver quem é mais rápido e certeiro; e “dark stand”, com alvos móveis em ambientes escuros.

“Eu queria lugares centrais em que as pessoas passassem e pensassem “nossa, o que é isso?”. E que tivessem mais confiança para entrar, já que é dentro de um shopping.”

Claro, ajudou também a experiência de oficial do Exército que o “G” da PDMG possuía. “Eu sempre quis trazer a realidade do tiro para o cotidiano. E colocamos a experiência do Exército na brincadeira. Com comandos de voz, instrutores que se comportam da mesma maneira que acontece no estande de tiro militar”, descreve Guerim.

Uma vez desenhado o modelo, a única decisão que faltava tomar – e talvez a mais importante – seria a forma de administração. Afinal, tratava-se de um modelo de negócios novo, baseado em uma unidade modelo, administrada pelos próprios idealizadores – mas que traria mais custos. “Era isso, ou entregar nas mãos de franqueados, que deveriam saber exatamente o que imaginávamos”, lembra Guerim.

A solução foi um meio termo: capacitar os franqueados antes de liberar a operação. Não só em termos técnicos, mas também para captar o espírito daquele novo empreendimento. “Não é só o airsoft, é o encantamento da atração. Acolher as pessoas, promover o convívio delas se divertindo junto da família ou amigos. Digo para os franqueados que, independentemente do serviço da loja, é isso que tem que ser trabalhado”, aponta o empreendedor, que define em R$ 300 mil o investimento ideal para uma franquia da Sniper.

O sucesso e os motivos
Depois da primeira unidade aberta, em 2016, a expansão aconteceu rapidamente. A Sniper fechou o ano passado com 50 unidades abertas e faturando R$ 50 milhões. Número que a empresa espera aumentar para R$ 70 milhões neste ano, com mais 30 lojas. “Achamos que há espaço para crescer conforme os shoppings apostam mais em serviços de entretenimento e lazer para complementar o comércio.”

De fato, segundo a Associação Brasileira de Franchising, o setor de entretenimento e lazer é o que mais cresce entre as franquias atualmente. No terceiro trimestre do ano passado, a alta foi de 25,2% sobre igual período de 2017.

Além disso, ajuda a gerar interesse pela Sniper a associação com o atual momento políticocom pressão de alguns setores pela liberalização do porte de armas. “Evitamos nos vincular a isso, pois somos um serviço de lazer. Mas as pessoas que levantam a bandeira do armamento se sentem muito bem ali. Quando esses homens de 30 anos ou mais vêm à Sniper, levam a família para fazer algo que gostam, e e os outros acabam gostando também”, diz o sócio da PDMG.

Fonte: PEGN

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