Venezuela bloqueia comida e remédio enviados pelos EUA

Venezuela bloqueia comida e remédio enviados pelos EUA

84
Compartilhar

Tocando de Primeira

CÚCUTA, COLÔMBIA – A primeira carga de ajuda humanitária internacional enviada pelos Estados Unidos para atenuar a crise vivida na Venezuela chegou à cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira entre os dois países, informou nesta quinta-feira a embaixada dos Estados Unidos em Bogotá.

O carregamento, levado por caminhões, não cruzou a fronteira em razão da recusa do presidente Nicolás Maduro, que considera o envio um pretexto para uma intervenção americana no país.

Tocando de Primeira

“Primeiros caminhões de ajuda humanitária da Usaid estão na Colômbia, enquanto os Estados Unidos posicionam artigos de assistência destinados à Venezuela. A pedido do presidente interino, Juan Guaidó, trabalhamos para entregá-los o mais rápido possível”, escreveu a embaixada no Twitter.

“Mais de 50 toneladas de ajuda humanitária dos EUA já estão na Colômbia”, disse ontem o senador republicano Marco Rubio, em sua conta no Twitter. “O futuro dos líderes militares em uma Venezuela pós-Maduro dependerá da decisão de autorizar ou não a entrada de ajuda para o povo.”

A Embaixada dos EUA em Bogotá confirmou a chegada do carregamento. “A pedido do presidente interino, Juan Guaidó, trabalhamos para entregá-los o mais rápido possível”, anunciou a embaixada americana, também por meio de sua conta no Twitter.

Guaidó, líder opositor que se autoproclamou presidente da Venezuela no mês passado, disse que, se Maduro não permitir a entrada da ajuda humanitária, ele pretende convocar “centenas de milhares de pessoas” para a fronteira para pressionar o governo pela entrada de medicamentos e de alimentos no país.

“Nosso objetivo é garantir o acesso dessa população a esses insumos. Isso significa mobilizar centenas de milhares de venezuelanos em territórios próximos aos pontos de entrega”, disse Guaidó ao diário uruguaio El País.

Neste cenário, a Guarda Nacional Bolivariana teria de lidar com os mantimentos acumulados no lado colombiano e protestos do lado venezuelano da fronteira. Nos últimos dias, Guaidó tem dito que um dos objetivos da operação é estimular rupturas dos militares com Maduro.

“Faço um chamado às Forças Armadas: em poucos dias, vocês poderão escolher se estão do lado de alguém cada vez mais isolado ou se acompanharão os milhares de venezuelanos que precisam de comida e de remédios”, escreveu Guaidó, também no Twitter.

De acordo com analistas, a estratégia opositora colocará Maduro diante de uma escolha: negar a ajuda, aumentado ainda mais seu isolamento internacional, ou aceitá-la, concedendo uma vitória política à oposição. Nas duas opções, ele sairia enfraquecido.

“É uma situação similar à expulsão de diplomatas da embaixada americana: se ele interromper ou impedir a entrada da ajuda, atacando os comboios americanos, seria um ato hostil. Se ele permite a entrada da ajuda, reconhece que está debilitado politicamente”, disse ao Estado Luis Vicente León, do Instituto Datanalisis. “A estratégia da oposição é colocá-lo cada vez mais perto de perder apoios e de reconhecer a própria debilidade.”

Vistos.

Os EUA cancelaram nesta quinta-feira os vistos de membros da Assembleia Constituinte da Venezuela, eleita com poderes legislativos, que substituiu a Assembleia Nacional, controlada pela oposição. “Estamos revogando vistos de membros da Assembleia Constituinte ilegítima”, disse Elliot Abrams, enviado para a Venezuela do secretário de Estado, Mike Pompeo.

Em entrevista à Fox Business, Pompeo acusou o Hezbollah, movimento xiita libanês aliado ao Irã, de ter um papel importante na desestabilização da Venezuela.

“As pessoas não se dão conta que o Hezbollah tem células ativas, que os iranianos estão afetando o povo da Venezuela e toda a América do Sul. Temos a obrigação de reduzir esse risco para os EUA”, disse o americano. Segundo ele, a questão será debatida na semana que vem na conferência de ministros em Varsóvia, na Polônia, sobre o Oriente Médio.

Questionado se os EUA estão preocupados com a possibilidade de a Venezuela receber militantes ligados ao terrorismo islâmico radical, Pompeo disse que o Hezbollah opera no país e isso representa um risco para a segurança americana.

Fonte: Estadão

Tocando de Primeira