Imigração dos EUA prende 680 funcionários de fábricas no Mississippi

Imigração dos EUA prende 680 funcionários de fábricas no Mississippi

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Funcionários da imigração dos EUA fizeram buscas em diversas fábricas de alimentos em Mississippi e prenderam 680 trabalhadores – em sua grande maioria latinos – no que foi a maior operação em locais de trabalho em pelo menos uma década.

Trabalhadores lotaram três ônibus – dois para homens e um para mulheres – na fábrica da Koch Food Inc., na pequena cidade de Morton, a 64 km de Jackson. Eles foram levados a um hangar militar para serem registrados por violações de imigração. Cerca de 70 familiares, amigos e moradores acenaram e gritaram ‘deixem eles irem! Deixe eles irem!” Mais tarde, outros dois ônibus chegaram.

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Um menino de 13 anos, cujos pais são da Guatemala, chorou ao se despedir da mãe, uma funcionária da Koch, enquanto estava ao lado de seu pai. Alguns funcionários tentaram fugir correndo, mas foram capturados no estacionamento.

Funcionários que tiveram seu status legal confirmado receberam autorização para deixar a fábrica depois de terem seus porta-malas vasculhados.

“Foi uma situação triste lá dentro”, disse Domingo Candelaria, um morador legal e funcionário da Koch que disse que as autoridades checaram os documentos de identificação dos trabalhadores.

A empresa não respondeu imediatamente a um email da Associated Press pedindo comentários.

Cerca de 600 agentes se espalharam por fábricas de diversas companhias, cercando perímetros para impedir a fuga de funcionários. As ações ocorreram em pequenas cidades próximas a Jackson com uma força de trabalho amplamente composta por imigrantes latinos, incluindo Bay Springs, Carthage, Canton, Morton, Pelahatchie e Sebastapol.

Matthew Albence, diretor interino de imigração e alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), disse à Associated Press que as batidas poderiam ser a maior dessas operações até então em qualquer estado.

Questionado sobre o fato de as batidas estarem acontecendo no mesmo dia da visita do presidente Trump a El Paso, no Texas, Albence respondeu: “Esta é uma operação de longo prazo que está acontecendo. Nossas operações de fiscalização estão sendo feitas em uma base racialmente neutra. Investigações são baseadas em evidências”.

A operação foi outra demonstração da prioridade interna de Trump para reprimir a imigração ilegal. Embora planejada meses atrás, coincidiu com o dia em que Trump foi visitar El Paso para oferecer suas condolências à cidade de maioria latina depois que um atirador ligado a postagens online anti-hispânicas matou 22 pessoas no sábado.

Um hangar na Guarda Nacional do Mississippi em Flowood, perto de Jackson, foi preparado com 2 mil refeições para registrar funcionários por violações de imigração na quarta-feira. Havia sete filas, uma para cada local visitado. Ônibus foram enfileirados desde o início do dia para serem despachados para as fábricas.

A Koch Foods, com sede em Park Ridge, Illinois, é uma das maiores produtoras de frango dos EUA, emprega cerca de 13 mil pessoas, e opera no Mississippi, Alabama, Geórgia, Illinois, Ohio e Tennessee.

A Forbes a classifica como a 135ª maior empresa de capital fechado dos EUA, com uma receita anual estimada de US$ 3,2 bilhões. A fábrica de Morton produz mais de 700 mil toneladas de ração por ano, disseram funcionários da empresa em fevereiro. A empresa não tem relação com os proeminentes doadores políticos conservadores e ativistas Charles e David Koch.

Os agentes chegaram à fábrica de Morton passando por cima de uma cerca de arame farpado com uma placa indicando que a empresa estava contratando. Mike Hurst, o procurador federal para o Mississippi, estava no local.

Trabalhadores tiveram seus pulsos amarrados com tiras de plástico e foram orientados a depositar seus pertences em sacos plásticos transparentes. Agentes recolheram os sacos antes de eles embarcarem nos ônibus.

“Isso afetará a economia”, disse Maria Isabel Ayala, funcionária da creche dos funcionários da fábrica, enquanto os ônibus saíam. “Sem eles aqui, como você vai conseguir o seu frango?”

Os agentes de imigração também visitaram uma fábrica da Peco Foods Inc. em Canton, cerca de 56 quilômetros ao norte de Jackson. A empresa, com sede em Tuscaloosa, Alabama, diz que é a oitava maior produtora de aves nos EUA. Um representante da empresa não respondeu imediatamente a um telefonema ou e-mail pedindo comentários.

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