Austrália reabrirá centro de retenção de imigrantes na ilha Christmas

Austrália reabrirá centro de retenção de imigrantes na ilha Christmas

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O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou nesta quarta-feira (13) a reabertura do centro de retenção de imigrantes na ilha Christmas — que é um território da Austrália no sul da Indonésia. Esse centro recebia requerentes de asilo que vinham da Ásia, África e Oriente Médio até ser fechado em outubro do ano passado.

A medida endurece ainda mais a política migratória australiana depois de o Parlamento impor uma derrota ao governo aprovando uma medida proposta pela oposição que, segundo o premiê, vai aumentar o fluxo de clandestinos nas costas australianas.

Contrariando o governo, os trabalhistas e independentistas votaram emendas sobre o tratamento médico oferecido aos solicitantes de asilo deixados pela Austrália em campos de internação em Papua Nova Guiné ou na ilha meridional de Nauru.

Os textos permitem aos quase mil imigrantes que estão detidos nos campos uma transferência à Austrália para receber tratamento caso dois médicos façam a solicitação.

Em sua declaração, Morrison deixou de lado o fato de que as emendas afetam apenas os migrantes detidos nos campos e acusou a oposição de tentar “enfraquecer e comprometer nossas fronteiras”, segundo a France Presse.

O governo, disse, adotará “em 100%” as recomendações dos serviços de segurança para impedir novas chegadas de imigrantes em situação irregular.

Os governos australianos raramente perdem votos na Câmara dos Deputados. Por isso, a decisão do premiê visa mostrar força poucos meses antes das próximas eleições, que vão acontecer em maio e terão a imigração como um tema chave. Ele descartou antecipar o pleito por causa da derrota.

A ilha Christmas é um território australiano no Oceano Índico, situado a 1.500 km da costa nordeste da Austrália e a 350 km ao sul da Indonésia.

Política migratória australiana

A política dos últimos governos conservadores consiste, desde 2013, em rejeitar sistematicamente os barcos de refugiados que tentam chegar ilegalmente às costas do país.

Os migrantes que conseguem alcançar os territórios australianos são relegados por tempo indeterminado a campos de retenção, enquanto seus pedidos de asilo são processados.

Esta política rendeu muitas críticas à Austrália pelas condições de detenção nos campos, nos quais vivem muitas crianças e onde foram registrados suicídios e atos de automutilação.

O Partido Trabalhista denunciou as “táticas alarmistas” do governo, que acusou de utilizar o medo dos imigrantes com objetivos eleitorais.