Americanos oferecem suas casas para abrigar imigrantes da América central detidos pela...

Americanos oferecem suas casas para abrigar imigrantes da América central detidos pela patrulha de fronteira

2110
Compartilhar

NOVA YORK – Ativistas americanos, a maioria anglo-saxões, decidiram abrir as próprias casas para oferecer refúgio aos integrantes da caravana de imigrantes centro-americanos que conseguiram entrar nos Estados Unidos, em uma mensagem oposta ao recado dado pela administração de Donald Trump.

“Cresci aprendendo o valor da hospitalidade. Para mim, isso significa mostrar quem somos. Falamos sério quando dizemos ‘liberdade e justiça para todos’, ou vamos deixar que o racismo desta Administração nos defina? Acho que temos que mostrar que Trump não fala por nós “, afirmou Heather Cronk, vice-diretora da organização Showing Up for Racial Justice.

De acordo com a agência EFE, essa organização, junto com a Aliança Nacional de Trabalhadoras do Lar, está promovendo uma campanha para mostrar que os Estados Unidos são sim solidários aos imigrantes.

Aos 27 anos e mesmo sem quase falar espanhol, Grace Aheron decidiu dividir sua casa com um ou mais imigrantes que alegam estar fugindo da violência de seus países.

Em todo o país, mais de 100 voluntários responderam ao chamado de dar abrigo, comida, transporte e assistência legal e emocional aos refugiados que tentam ser aceitos pelas autoridades migratórias.

“Temos espaço sobrando em casa, e nas nossas vidas, para fazer a diferença e ajudar estas pessoas que estão escapando da morte”, disse Grace.

Morando na outra ponta do mapa, no litoral leste, ela está disposta a assumir essa responsabilidade e, com outros voluntários, bancar o transporte até Charlottesville, uma cidade de cerca de 46 mil habitantes, onde mais de 70% da população é branca e onde o espanhol é pouco falado.

Além de casa, comida e a assistência de um amigo da ativista que fala espanhol, os imigrantes que chegarem na cidade poderão ter aulas de inglês e acesso a outros recursos de educação e saúde que ela conseguiu.

Na sua cidade, que fica a cerca de 274 quilômetros da capital do país, ela tem tentado espalhar o sentimento de receptividade aos imigrantes.

“Aqui não tem sentimento negativo para eles, pelo contrário. Todo mundo com quem eu falo se interessa em ajudar. Esse é o espírito americano, de dar as boas-vindas a quem precisa”, destacou.

Até essa sexta-feira, 228 imigrantes chegaram ao escritório de imigração do bairro de San Ysidro, em San Diego, na Califórnia, como parte da caravana que atravessou o México, e conseguiram acesso às instalações do Controle de Fronteira e Alfândegas (CBP) para solicitar asilo.

O último grupo, de quase 80 pessoas, espera desde 30 de abril em um acampamento improvisado na porta do órgão, em estado de alerta pela advertência do governo Trump de que aplicará rigorosamente a lei.

As advertências do governo motivaram os ativistas e voluntários a mostrar a abertura do povo e abraçar as responsabilidades dos problemas que os imigrantes enfrentam.

Para Jess Morales Rocketto, presidente da campanha “We Belong Together” e diretora política da Aliança Nacional de Trabalhadoras do Lar, a resposta de jovens anglo-saxões como Grace mostra uma parte do povo americano que compreende as razões que levaram os integrantes da caravana, a maioria de Guatemala, El Salvador e Honduras, a fugir.

“Ninguém quer ir embora e deixar família e amigos para trás. Eles fazem isso porque ficam sem alternativa. Temos que apoiá-los”, defendeu Jess.

Com Brazilian Times