Homem da meia-noite arrasta multidão pelas ladeiras de Olinda

Homem da meia-noite arrasta multidão pelas ladeiras de Olinda

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Sábado de Zé Pereira, de Galo da Madrugada e também do Homem da Meia-Noite. O calunga, que encanta o Sítio Histórico de Olinda há 85 anos, trouxe O Negro Rei como tema em 2017, uma homenagem às origens do clube, que teve a maior parte dos fundadores negros. Vestindo as cores verde e branco, o homem que passeia pelas ruas de Olinda fez brilhar os olhos de cada um que acompanha o percurso de quase três quilômetros.

“Estamos sentindo uma emoção diferente este ano. Por voltar às origens, por ter tido a roupa confeccionada por um terreiro de candomblé pela primeira vez, pelo calunga ter nascido no dia de Iemanjá. É uma emoção única”, destacou Luiz Adolpho, presidente do clube há 14 anos. O tema foi escolhido pelo filho dele, Thales de Siqueira, que se inspirou na música ‘Negro Rei’, da banda Cidade Negra.

O calunga é paixão dos olindenses, mas atrai também pessoas de longe. A médica Aline Lourenço, 47, passou mais de quatro horas num voo de São Paulo para o Recife para prestigiar o Homem da Meia-Noite pela primeira vez. “Eu vim para o carnaval do Recife nos últimos dois anos, mas estou muito curiosa pra viver o misticismo desse personagem. E pra ver aquele dente de ouro, que é um charme”, contou.

A Estrada do Bonsucesso ficou lotada de gente à espera do calunga. “Sou daqui, mas é a primeira vez que venho acompanhar. Sempre escuto todo mundo falar da emoção e hoje quis viver um pouco disso”, disse Roberta Alves, 52, que trabalha como cuidadora de idosos numa casa próxima à sede do clube.

Este ano, o mistério da roupa do galã de Olinda durou até poucos minutos antes da saída da sede. A psicóloga Sara Ribeiro, 53, que vem ao desfile há 40 anos, estava na expectativa. “É muito emocionante esperar pra ver como ele vem vestido a cada ano. Tudo é por ele e para ele. Ele é o mais esperado”, disse.

E o figurino correspondeu. Cores verde e branca, renda, sementes de ave-maria e búzios, o calunga emocionou mais uma vez. De acordo com o grupo Bomgar, responsável pela confecção da roupa, os búzios representam o jogo de búzios, que é uma arte das divindades da cultura africana.

O grito que anunciou “lá vem o Homem da meia-noite” se misturou ao som do violino do maestro Israel de França, um dos homenageados do desfile de 2017. O dançarino Paulo Cristo e o grupo de maracatu Leão Coroado completaram a lista de reverências do calunga este ano.

“Não existem palavras que traduzam o significado dessa homenagem pra mim, mas sei dizer que ela é enorme. E estou aqui não só por mim, mas representando também todos os outros dançarinos pernambucanos, que são inspiração pra muita gente”, destacou com emoção Paulo Cristo. Ele, que tem 18 anos de carreira, se apresentou durante o desfile e abrilhantou a festa. Israel e Paulo se apresentaram na saída do calunga gigante e acompanharam o desfile até o encontro com o Maracatu Leão Coroado, que ficou durante o percurso.

Elizabete Santos saiu cedo de casa. Esperou horas para ver o calunga. E com muito gosto. “Deixei de ir para o galo pra ver o Homem da Meia-Noite. É meu segundo ano. E venho porque era meu sonho desxe criança olhar pra ele tão de perto”, disse a estudante de 17 anos. Ela veio acompanhada da prima, a pequena Maria Eduarda Santos, que tem 1 ano de idade. Apesar de tão nova, não é a primeira vez com o calunga.

“Ela também veio no ano passado. Agora se veste com a camisa do gigante pra viver a alegria do carnaval”, contou Elizabete com um sorriso no rosto. E, além de acompanhar o desfile de 2017 até o fim, ficou a promessa de reverenciar o gigante no próximo ano.

Fonte: G1

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