Entre tantas opções, a lista de 23 da França é a que...

Entre tantas opções, a lista de 23 da França é a que gera mais discussões até o momento

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Questionam-se resultados e decisões, mas não a qualidade atual da seleção francesa.

 

Poucos elencos nacionais se comparam aos Bleus, por todas as possibilidades que existem para compor o time, sobretudo do meio para frente.

Didier Deschamps tinha uma decisão espinhosa a tomar e tentou adiá-la enquanto pôde, usando a final da Liga Europa como pretexto. Já nesta quinta, o técnico anunciou os seus 23 escolhidos para o Mundial da Rússia. Como seria natural, é um grupo fortíssimo. Mas talvez aquele que gere mais discussões por quem acaba ficando de fora.

A França possui à disposição uma série de atletas que, em seus clubes, atuam em alto nível. Nem todos, porém, corresponderam quando tiveram as suas chances com a camisa azul. Além disso, as decisões que precisam levar em conta o presente, inescapavelmente, acabam considerando também o futuro, diante do potencial de muitos selecionáveis. Deschamps formou um grupo essencialmente jovem. Ainda assim, longe de ser inquestionável, em comparações naturais com aqueles que ficaram de lado – são 11 nomes na lista de suplentes igualmente anunciada nesta quinta.

No gol, não haviam muitas dúvidas. Hugo Lloris, Steve Mandanda e Alphonse Areola formam o trio principal, e Benoît Costil fica de sobreaviso na lista reserva. Já na defesa, começam os primeiros entraves. Sem o lesionado Laurent Koscielny, os Bleus contarão com Raphaël Varane, Adil Rami, Samuel Umtiti, Presnel Kimpembe, Lucas Hernández e Benjamin Pavard para o miolo. São seis zagueiros de origem, embora Lucas e Pavard devam servir de alternativas aos laterais, até por aquilo que aconteceu nos amistosos em março. De qualquer forma, não deixa de abrir um leque de possibilidades táticas. Aos lados, Djibril Sidibé e Benjamin Mendy (este, de maneira surpreendente, pela lesão que o deixou longo tempo parado) devem ser titulares absolutos.

A precocidade, aliás, não foi problema às escolhas de Deschamps. Pavard, Kimpembe e Lucas não somam juntos nem dez jogos pela França. Chegam referendados principalmente pelo trabalho nos clubes, assim como pelos serviços prestados nas chances recentes. O que, em contrapartida, gera uma série de ausências notáveis. Reserva no Barcelona, apesar de muitas vezes titular na seleção, Lucas Digne está lista de suplentes, assim como Kurt Zouma, rebaixado com Stoke. O bom momento no Saint-Étienne não foi suficiente a Mathieu Debuchy, um dos melhores jogadores no segundo turno da Ligue 1. Já Mamadou Sakho fica entre os 34 mais por consideração do treinador do que por boa forma. Aymeric Laporte, parte de duas convocações recentes, sequer foi lembrado desta vez pelo comandante, assim como Layvin Kurzawa.

No meio, existiam algumas certezas, e elas se mantêm: Blaise Matuidi, Paul Pogba, N’Golo Kanté. Corentin Tolisso e Steven N’Zonzi se confirmaram pela temporada afirmativa de ambos, especialmente o segundo, que se encaixa melhor nas exigências físicas do estilo de jogo da seleção. E os nomes param por aí. Adrian Rabiot fez parte de todo o ciclo pós-Euro, mas só pegou a lista reserva. Moussa Sissoko é outro medalhão preterido, importante em outros momentos da equipe nacional. Já Dimitri Payet, que poderia ser encaixado como meia-armador em um sistema com dois volantes, não aparece nem entre os 34 – como lamentou o treinador, em decisão motivada pela lesão que o tirou da final da Liga Europa.

As maiores polêmicas, de qualquer forma, se concentram no ataque. Antoine Griezmann tomou para si o protagonismo do time. Olivier Giroud é um jogador útil dentro das ideias dos Bleus, sobretudo como uma alternativa de presença física na área e contribuiu com muitos gols importantes no atual ciclo. Kylian Mbappé ganhou seu lugar na bola durante o último ano, com várias grandes atuações. No mais, brechas à discussão, embora o técnico deixe clara a sua preferência por reforçar principalmente o jogo pelas pontas.

Deschamps optou por Thomas Lemar, Ousmane Dembélé, Florian Thauvin e Nabil Fekir para fechar a convocação. Deixou de fora Anthony Martial, Alexandre Lacazette, Kingsley Coman e Wissam Ben Yedder, todos na lista reserva – além do supracitado Payet, que tantas vezes entrou como ponta na seleção. E neste pelotão, não dá para encontrar muito um padrão que permeou as escolhas do selecionador.

O momento que serve a Thauvin e Fekir, por exemplo, não é a tônica para Dembélé, sem convencer no Barcelona após voltar de contusão; da mesma maneira que não adiantou para Ben Yedder ficar entre os 23, mesmo arrebentando com a camisa do Sevilla. Lemar se conserva pela importância do ciclo pós-Euro, apesar de cair de rendimento com o Monaco. Já sobre Lacazette e Martial, a Premier League não parece suficiente a convencer Deschamps. As respostas só ficam realmente claras a Coman, retornando de lesão no Bayern, e por isso perdendo terreno. E vale lembrar que, diante de todos os entraves pessoais, Karim Benzema não é visto como opção há tempos, assim como Franck Ribéry, que se aposentou dos Bleus.

No fim das contas, as escolhas de Didier Deschamps não são mais do que isso: escolhas, que levam em conta critérios bastante subjetivos em cada caso. Considerando o bom e equilibrado nível dos jogadores disponíveis à França, as preferências pesam demais. Continuam formando um elenco bastante forte, candidato a uma grande campanha na Rússia. Só que a lista também gera o seu ruído, que pode se tornar barulhento a partir dos resultados. Relembrando os rachas que tantas vezes estragaram as perspectivas dos franceses nas competições internacionais, fechar este grupo e trabalhar forte para consolidá-lo será uma tarefa extra ao comandante.

Goleiros: Alphonse Areola (Paris Saint-Germain), Hugo Lloris (Tottenham, ING), Steve Mandanda (Olympique de Marseille)

Defensores: Lucas Hernández (Atlético de Madrid, ESP), Presnel Kimpembe (Paris Saint-Germain), Benjamin Mendy (Manchester City, ING), Benjamin Pavard (Stuttgart, ALE), Adil Rami (Olympique de Marseille), Djibril Sidibé (Monaco), Samuel Umtiti (Barcelona, ESP), Raphaël Varane (Real Madrid, ESP)

Meio-campistas: N’Golo Kanté (Chelsea, ING), Blaise Matuidi (Juventus, ITA), Steven N’Zonzi (Sevilla, ESP), Paul Pogba (Manchester United, ING), Corentin Tolisso (Bayern de Munique, ALE)

Atacantes: Ousmane Dembélé (Barcelona, ESP), Nabil Fékir (Lyon), Olivier Giroud (Chelsea, ING), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid, ESP), Thomas Lemar (Monaco), Kylian Mbappé (Paris Saint-Germain), Florian Thauvin (Olympique de Marseille)

Lista reserva: Wissam Ben Yedder (Sevilla, ESP), Kingsley Coman (Bayern de Munique, ALE), Benoît Costil (Bordeaux), Mathieu Debuchy (Saint-Étienne), Lucas Digne (Barcelona, ESP), Alexandre Lacazette (Arsenal, ING), Anthony Martial (Manchester United, ING), Adrien Rabiot (Paris Saint-Germain), Mamadou Sakho (Crystal Palace, ING), Moussa Sissoko (Tottenham, ING), Kurt Zouma (Stoke City, ING)

 

Via Trivela – UOL