Crescimento da evasão escolar põe em dúvida o modelo de educação atual

Crescimento da evasão escolar põe em dúvida o modelo de educação atual

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Tocando de Primeira

Diante de uma queda acumulada de 7,1% do número de alunos matriculados no Ensino Médio nos últimos cinco anos, o modelo atual de educação dos sistemas público e privado no Brasil é colocado em xeque. Especialistas apontam investimentos na qualidade na educação básica como principal iniciativa de combate à futura evasão escolar.

“Hoje, o acesso à escola envolve vários problemas. Os principais fatores estão relacionados à localização dessas instituições, os turnos de ensino inadequados e a forma como o conteúdo é ofertado aos alunos”, argumenta o professor especialista em fluxo escolar da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Fernando Tavares.

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De acordo com ele, as altas taxas de evasão escolar registradas no Brasil começam a partir da baixa qualidade do Ensino Básico e Fundamental, os quais muitas vezes oferecem uma base curricular pouco dinâmica e inadequada ao perfil do aluno.

“A oferta de conteúdo não é compatível ao ciclo de aprendizagem em que, muitas vezes, o aluno se encontra”, diz, ressaltando que a reprovação é a principal causa de abandono escolar.

Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as matrículas do 9º ano apresentaram queda de 8,3% entre os anos de 2014 e 2018. Além disso, segundo o estudo, o índice de distorção entre idade e série está em 28,2% no Ensino Médio.

Na avaliação de Tavares, dessa forma, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem se tornado, de forma equivocada, um paliativo para alunos repetentes concluírem os estudos. Ele afirma que o formato educacional da EJA não foi feito para absorver essa parcela que migrou do ensino regular.

“Podemos discutir eventualmente alguma pequena flexibilização na grade curricular, mas é necessário que a base nacional comum seja mantida. Por exemplo, pode ser discutida a implementação de um calendário mais dinâmico, com a possibilidade do aluno realizar uma recuperação paralela para não perder o ano por conta de uma matéria”, disse Tavares.

O professor também ressalta que escolas municipais – até então competentes apenas pela educação básica e fundamental – começaram a oferecer o ciclo do ensino médio, promovendo uma distribuição de ensino inadequada.

Na mesma linha de raciocínio, a pedagoga e fundadora da rede de franquia de educação Ginástica do Cérebro, Nádia Cristina Benitez, avalia que existe a necessidade de modernização na forma como o conteúdo é apresentado aos alunos no País.

“Percebemos que as escolas brasileiras precisam revisar seus processos metodológicos. Se pegarmos a imagem de uma sala de aula há 100 anos, é exatamente o mesmo ambiente em temos atualmente”, argumentou Nádia.

Ainda de acordo com a pedagoga, o desinteresse dos estudantes em relação ao ambiente escolar pode ser observado através da alta procura pelos cursos técnicos.

Segundo balanço do Inep, o número total de matrículas em educação profissional aumentou 3,9% desde 2017. Dentro desse movimento, as modalidades que mais cresceram foram a concomitante (8%) e a integrada (5,5%) ao Ensino Médio. Atualmente, a meta do Plano Nacional de Educação prevê triplicar a oferta de ensino técnico profissional de nível médio até 2024.

Fonte: DCI

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