Comissão aprova resposta democrata a dossiê pró-Trump

Comissão aprova resposta democrata a dossiê pró-Trump

214
Compartilhar

Guerra de versões. Trump visita fábrica em Ohio: dossiê gerou polêmica – MANDEL NGAN / AFP

O controverso memorando feito pelos membros republicanos na Comissão de Inteligência da Câmara, que acusa o FBI e o Departamento de Justiça de abuso de poder na investigação da interferência russa nas eleições de 2016, vem acirrando ainda mais o atrito entre Donald Trump e os oponentes democratas desde sua divulgação na sexta-feira. Enquanto o presidente americano acusava nesta segunda-feira o líder opositor na comissão de vazar informações confidenciais, os críticos de Trump conseguiram fazer o órgão da Câmara de Representantes aprovar a divulgação de um contradocumento rebatendo as acusações de abuso de poder.

Sem evidências concretas, o documento republicano afirma que o FBI ordenou espionar sem provas um ex-assessor da campanha, Carter Page, que é investigado no caso. Também diz que o vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, que supervisiona o inquérito da polícia federal, aprovou prolongar a ação mesmo sem evidências encontradas.

Os democratas acusam os republicanos da comissão, chefiada pelo deputado Devin Nunes, de fazer um “memorando vergonhoso” com fins políticos para tentar minar a credibilidade dos investigadores que apuram se houve conluio entre a campanha presidencial de Trump em 2016 e emissários russos.

Na noite desta segunda-feira, o órgão aprovou por unanimidade a divulgação da réplica democrata, agora sujeita à aprovação da Casa Branca. No fim de semana, o governo se disse aberto a tornar pública a resposta, mas não indicou o que Trump faria. O presidente — que dissera que o memorando republicano “lhe fazia justiça”— abriu fogo contra o líder democrata da comissão.

“O pequeno Adam Schiff, desesperado para concorrer a um cargo mais alto, é um dos maiores mentirosos e vazadores em Washington (…) Adam sai de audiências fechadas para vazar ilegalmente informações confidenciais. Precisa ser impedido!”, escreveu no Twitter. Horas antes, ele chamara vários congressistas democratas de “não-americanos” e “traidores da nação” pela falta de aplausos e por críticas ao governo na resposta ao discurso sobre o Estado da União que fez no Congresso.

REPUBLICANOS CREEM EM TRUMP

Schiff, que acusara colegas republicanos de fazerem um “assassinato político do FBI a serviço do presidente”, ironizou na resposta: “Em vez de tuitar acusações falsas, o povo americano gostaria que você desligasse a TV e ajudasse a resolver o problema de financiamento do governo, dos dreamers (jovens imigrantes no centro do debate migratório no Congresso) protegidos ou… qualquer coisa”, rebateu no Twitter.

A comissão é responsável pelo inquérito na Câmara sobre a interferência russa. O FBI (com poder de realizar acusações criminais) e o Senado conduzem suas próprias investigações.


Mesmo com liderança indicada por Trump, o FBI questiona as afirmações do memorando e a omissão de fatores — como evidências de conversas de Page com emissários russos e o fato de que ele publicamente se gabava de ser ligado ao Kremlin. Até mesmo deputados republicanos da comissão expressaram preocupação com um possível freio à investigação do FBI ou até a demissão do promotor especial Robert Mueller, que a chefia.

— Seria um erro de qualquer um sugerir que o promotor especial não complete seu trabalho — advertiu Chris Stewart, de Utah.

Mas, mesmo assim, a base de Trump parece dar-lhe voto de confiança: em pesquisa Ipsos/Reuters divulgada hoje, 73% dos republicanos acreditam que o FBI e o Departamento de Justiça estão “trabalhando para deslegitimá-lo com investigações motivadas politicamente”.

Do O Globo