Quando corrimento vaginal é sinal de problema? Médicos respondem dúvidas

Quando corrimento vaginal é sinal de problema? Médicos respondem dúvidas

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corrimento é uma secreção produzida pela vagina em um processo natural do corpo feminino e fundamental para a manutenção da saúde e higiene íntima.

No entanto, em alguns casos, pode ser um grande indicador de problemas de saúde. O importante é entender como esta secreção funciona e quando ela deve ser investigada por um médico.

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O corrimento normal é uma secreção fisiológica. Ou seja: ele faz parte do processo natural do corpo feminino. Ele é inodoro, incolor, indolor, contribui para a lubrificação íntima na hora do sexo, ajuda na proteção do trato genital e urinário contra infecções e não deve trazer preocupações. Sua consistência lembra muito a da clara do ovo.

A diferença entre o corrimento fisiológico e o anormal é que o segundo apresenta cheiro forte, cor e, às vezes, é acompanhado de dor. É o corrimento anormal que merece atenção redobrada da mulher, uma vez que está relacionado a infecções, inflamações e outras doenças genitais.

Vale destacar que o corrimento em si não é uma doença, mas sim um sintoma de desequilíbrio no organismo, que pode ser desde proliferação anormal de bactérias até doenças sexualmente transmissíveis ou mesmo câncer.

Alterações no corrimento vaginal para ficar atenta

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O corrimento vaginal em seu estado natural é incolor. Porém, a secreção pode apresentar cores variadas – o que funciona como um grande sinal de alerta para a saúde íntima. “A modificação da cor do corrimento geralmente indica uma alteração da normalidade e pode estar associada a infecção, inflamação ou outras doenças genitais”, explica Fabio Rios, ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Corrimento marrom

Se o corrimento estiver marrom, avermelhado ou similar à borra de café em dias fora do período menstrual, provavelmente há presença de sangramento vaginal ou no sistema reprodutivo da mulher. Se este corrimento avermelhado for acompanhado de dor abdominal, a secreção pode estar, ainda, relacionada ao câncer de útero ou do endométrio.

Corrimento branco

Se o corrimento estiver branco e a região íntima apresentar coceira, o sinal pode indicar o desenvolvimento da candidíase. A cor branca também está relacionada a alergias na área. Por isso, é recomendado tentar se lembrar dos momentos antes dos primeiros sinais de coceira para identificar se houve contato com sabonetes, cremes ou outros produtos diferentes que possam ter provocado a reação alérgica.

Corrimento amarelado/esverdeado

Se o corrimento estiver amarelo-esverdeado, é possível que esteja ocorrendo o desenvolvimento de uma doença sexualmente transmissível (DST). Entre as que provocam alterações no corrimento com essa característica destacam-se a herpes genital, a gonorreia, a clamídia e a tricomoníase.

Corrimento cinza

Se o corrimento estiver acinzentado, pode ser sinal da presença da Gardnerella vaginalis, uma bactéria que normalmente habita a região íntima da mulher e, quando se prolifera de forma anormal, causa vaginose.

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Odores

Assim como o corrimento normal não apresenta cor, a secreção vaginal fisiológica também não possui cheiro em condições normais.

Entretanto, o odor forte pode ocorrer em algumas situações. “O cheiro pode significar infecção ou até mesmo uma higiene deficitária”, conta Rios.

Quando a secreção exala odor por infecções, a causa está relacionada a vaginoses, especialmente à presença da bactéria Gardnerella vaginalis – micro-organismo responsável pelo característico cheiro de “peixe estragado” na região íntima feminina.

A vaginose acontece quando há um desequilíbrio da flora vaginal, situação em que um micro-organismo, como a G. vaginalis, predomina a região íntima em detrimento de outro.

Este desequilíbrio está relacionado a fatores como alteração do pH da vagina, alimentação desregrada, higiene excessiva ou insuficiente ou uso de antibióticos (geralmente usados para o tratamento de infecções urinárias ou sinusites).

Em muitos casos, a mulher consegue reequilibrar espontaneamente o pH e a flora vaginal, e o cheiro costuma ir embora sozinho. Em outros casos, é preciso investigar o que causa o odor.

“Depois de descobrir o que está mudando o pH da vagina, precisamos buscar medidas para restaurar a flora. Geralmente o uso de alimentos com probióticos como iogurtes e leites são indicados”, explica a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks.

Tratamento

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ZILLI/ISTOCK

O corrimento não recebe tratamento, mas sim o quadro de saúde que está gerando este sintoma. Portanto, o primeiro passo ao identificar anormalidade na secreção é buscar um médico para investigar a condição que pode estar por trás do desconforto.

Assim, o tratamento e o medicamento indicados irão depender do agente causador do problema. Alguns remédios são administrados via oral, enquanto outros consistem em cremes vaginais.

“O remédio prescrito pode ser um antibiótico, no caso de bactérias, um antifúngico, para fungos, por exemplo”, diz Andreia Gozzi, ginecologista do Instituto Lerner. “Em algumas infecções, o parceiro da mulher também toma a medicação”, complementa Rios.

Medidas de higiene íntima também funcionam como tratamento para problemas que causam corrimento, mas nem sempre é o caso. O médico é quem irá avaliar.

Porém, no caso da secreção de ordem fisiológica, a paciente não deve recorrer a medicamentos, já que combater o muco natural da vagina pode acarretar problemas. “A mulher não precisa se preocupar. [Quando a secreção vaginal é normal], não há necessidade de tratamento”, afirma o ginecologista Fernando Prado Ferreira.

Fonte: vix.com