Mulher transgênero produz leite e amamenta filho adotivo durante seis meses

Mulher transgênero produz leite e amamenta filho adotivo durante seis meses

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Miami, Estados Unidos – Uma mulher transgênero conseguiu amamentar seu bebê adotado depois de tomar hormônios que induzem a lactação, de acordo com um primeiro estudo científico publicado sobre o tema na revista Transgender Health. Os cientistas, no entanto, afirmam que são necessários mais estudos para determinar se o leite é nutritivo e seguro para as crianças.


A pesquisa descreve a mulher trans, uma americana, de 30 anos, nascida no corpo de um homem, que passou por uma terapia de hormônios femininos durante seis anos. Não foi realizada nenhuma cirurgia genital ou de seios.

A paciente buscou aconselhamento médico, porque sua parceira estava grávida mas não estava interessada em amamentar a criança. Então ela “esperava assumir o papel de principal fonte de alimento para o infante”, segundo o estudo, coordenado por pesquisadores da Mount Sinai Icahn School of Medicine de Nova York.

O tratamento

A paciente seguiu um regime de hormônios utilizado para induzir a lactação nas mulheres, incluindo um aumento de estradiol e progesterona, ao mesmo tempo que foi recomendada a uso de uma bomba de amamentação três vezes ao dia durante cinco minutos, em cada mama.

Também recebeu um medicamento contra náuseas, chamado domperidona, do Canadá, que é utilizado para estimular a produção de leite. A domperidona não está aprovada nos Estados Unidos porque a Agência de Alimentos e Drogas (FDA) teme que possa provocar paradas cardíacas e riscos desconhecidos para as lactantes.

“Três meses e meio depois do início do regime, o bebê nasceu”, afirma o estudo. “A paciente amamentou exclusivamente durante seis semanas” e depois começaram a ser adicionados suplementos pela “preocupação de um volume de leite insuficiente”. O desenvolvimento do bebê e seus hábitos alimentares foram normais, destaca o estudo.

Os especialistas afirmam que bebês sejam alimentados com o leite materno durante o primeiro ano de vida ou mais, se possível. Eles destacam os benefícios para a saúde da criança, que excedem muito os obtidos com o leite em pó.

Apesar de haver uma comemoração no meio científico, é muito cedo para saber se o aleitamento transgênero é seguro e nutritivo para os bebês, alerta Madeline Deutsch, diretora clínica do Centro de Excelência para a Saúde Transgênero de São Francisco, da Universidade da Califórnia (EUA).

“Eu não faria”, declarou Deutsch, também transgênero e cujo bebê de seis meses é amamentado por sua esposa, que foi a genitora. “A minha principal preocupação seria a qualidade nutricional”, disse Deutsch à AFP. Além disso, os hormônios para induzir a lactação podem provocar mudanças de humor e aumento de peso, o que pode atuar como elemento de dissuasão para algumas pessoas, completou.

Mais pesquisas podem esclarecer a qualidade nutricional do leite, assim como sobre a segurança dos hormônios necessários para produzi-lo. Ao mesmo tempo, indicou Deutsh, os esforços para convencer as mulheres transgêneros a amamentar acontecem informalmente há algum tempo. “Devo ser honesta com você, isto está acontecendo há pelo menos 10 ou 15 anos, pelo que eu sei. Mas esta é a primeira vez que alguém escreve”, completou.

Da Agência France-Presse